Foi adjudicada a preparação de 47 mil unidades. A utilização da matéria-prima nacional reduzirá
Portugal já está a produzir Plasma
Foi adjudicada a preparação de 47 mil unidades. A utilização da matéria-prima nacional reduzirá
a fatura em 30%.
O Serviço Nacional de Saúde(SNS) deixou de queimar, literalmente,
um produto que vale ouro. O plasma das dádivas de sangue está pela primeira vez a ser aproveitado para inativação, o método mais eficaz
para garantir a qualidade das transfusões, e fracionamento
para obter medicamentos do. Sangue. A utilização da matéria-
prima portuguesa deverá poupar 30% nos encargos com estas terapêuticas, que em 2014 custaram €55 milhões.
O Instituto Português do Sangue e da Transplantação(lPST) e o Centro Hospitalar de São João (CHSJ), no Porto, são
para já os únicos a aproveitar eficientemente o plasma. Até ao momento, adjudicaram a preparação de 47.100 unidades: 32.100 para inativar para
casos de trauma ou de grandes cirurgias. por exemplo, e o restante para hemoderivados destinados a doenças como a hernofilia ou vítimas de cancro. A tarefa foi entregue à Ocrapharrna, líder no mercado nacional. O IPST foi o primeiro a requerer os serviços do laboratório suíço, em novembro, para assegurar 6800 bolsas de plasma inativado. Este ano
avançou com outra tranche, de 15.300 unidades. A fatura total ultrapassa os €1,2 milhões. O retorno do investimento deverá ser assegurado pelo
fornecimento daquele plasma a hospitais nacionais a preços
A inativação de vírus e o plasma pronto para transfusão mais baixos. O IPST está a vender a bolsa de plasma português a €69 e a Octapharrna
cobra €89,25 por produto feito com plasmo estrangeiro.
"O Hospital de Santa Maria é o maior cliente, a quem já fornecemos
4561 unidades deste plasma inativado", adianta o presidente do IPST, Helder Trindade. A preferência tem uma explicação: "O Centro
Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) - a que pertence o Santa Maria - colhe sangue e envia para O IPST, que armazena e fornece os hospitais",
explica Carlos Martins, presidente do CHLN. Assim, "aderiu
ao plano do IPST porque a sustentabilidade do SNS e os ganhos em saúde passam muito pela concertação e articulação institucional do sector público". O Hospital de São João optou por avançar por conta própria
até que a estratégia nacional seja uma realidade. Em maio,
iniciou o envio de plasma colhido entre os seus 50 mil dadores
e já soma mais de 6300 unidades no laboratório da Octapharma
em Estocolmo. No próximo dia 15 está prevista
mais uma remessa e a partir do dia 23 a chegada ao hospital das primeiras bolsas (1600) prontas a utilizar. O plano prevê o envio de um total de 25 mil unidades (10 mil para inativar e 15 mil para fracionar) no primeiro
ano de contrato. Utilização do plasma portuense vai custar mais de €J.3 milhões mas os responsáveis garantem que trará poupanças. "O valor
permite poupar cerca de €180 mil", revela Fernando Araújo, diretor do Serviço de Imuno-hemoterapia. Além disso, "ficará autónomo em plasma inativado e albumina", para nao ter o volume do sangue. "Terá um impacto relevante em termos éticos, ao evitar o desperdício do plasma
doado de forma benévola", acrescenta o especialista. E sublinha:
"O CHSJ inutilizava anualmente todas as 20 mil a 25 mil unidades
de plasma coibidas." A compra aos laboratórios (de unidades dos EUA, Alemanha ou Áustria) continua a ser a principal forma de abastecimento e o IPST quer abastecer todo o SNS. E até garantir a autossuficiência em plasma para transfusões, com 80 mil bolsas por ano. Das200 mil dádivas de sangue anuais que chegam ao IPST, sobrarão, assim, 120 mil (congeladas e sem espaço para mais) para medicamentos do sangue. "O
país precisa de muito mais, mas já será uma pequena parte para diminuir a despesa", explica Helder Trindade. O concurso está aberto e exige dois hemoderívados (alburnina e imunoglobulina, para carência de anticorpos e omais consumido), mas vencerá quem fizer mais."Em janeiro enviámos urna comunicação a todos os hospitais públicos para saber se queriam entrar (como clientes) e 14 não responderam", afirma o presidente do IPST. Os responsáveis do São João adiantam, no entanto, quevão aderir. "Na última quinta-feira, o CHSJ solicitou por escrito a integraçâo no concurso do IPST," A diretora técnica da Octapharma em Portugal, Helena Teixeira Direito, defende a estratégia nacional. "Um programa de autossuficiência elimina os custos de destruição do plasma e reduz a exposição do país a fatores externos que possam condicionar o fornecimento, em quantidade e em preço." O programa nacional foi tentado
e falhou. Por isso, Helder Trindade adianta que, "numa segunda fase, os hospitais vão ser convidados pelo Ministério da Saúde, com outra força". E acrescenta: "Não garanto que o concurso chegue ao fim, mas estamos a dar o melhor."
CONSUMO
80
mil bolsas de plasma são
necessárias anualmente
no Serviço Nacional de Saúde
para transfusões a doentes.
Somam-se mais de 120 mil
unidades de medicamentos
obtidos do plasma fracionado
55
milhões de euros foram
gastos pelo Estado
com a aquisição de plasma
e de hemoderivados no ano
passado, representando 5%
da fatura total dos hospitais
públicos com fármacõs
25
mil unidades de plasma
nacional vão ser utilizadas
anualmente pelo Centro
Hospitalar de São João, Porto.
A medida deverá gerar uma
poupança de 180 mil euros
Nota : Noticia que saiu no jornal Expresso dia 5 de Setembro de 2015